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sexta-feira, 26 de março de 2010

Chefiar processos é diferente de liderar pessoas

Mesmo diante de um cenário onde os resultados são caprichosamente perseguidos pelas organizações e os trabalhadores são avaliados mais pelo que produzem, do que pelo que sabem, a competência de saber liderar pessoas está cada vez mais disputada no mercado de trabalho. Vivemos um momento histórico em que, mais que atrair talentos, é necessário e desafiador, reter esses talentos dentro das organizações o que demonstra a importância dada a política de Gestão de Pessoas por diversas organizações.

Ter em seus quadros pessoas capacitadas tecnicamente para gerir os processos, é de certa forma essencial, porém não é mais fator preponderante para o sucesso de uma empresa. Embora saibamos que a maioria das organizações do mundo moderno ainda classifica o processo como sendo fundamental para o alcance de seus objetivos, é sabido que focar apenas o processo não garante por si só o sucesso da organização. Vivemos hoje, no que chamamos de "Era do Conhecimento" e a gestão desse conhecimento deve ser administrada tanto quanto a gestão dos processos organizacionais.

É nesse contexto que entra a decisiva participação da liderança, diferentemente daquela existente na Era Industrial, onde o capital humano era visto como um mero recurso do processo, ou seja, sem as mínimas condições de trabalho. Caso não estivesse produtivo, o trabalhador poderia facilmente ser substituído, como se fazem com as máquinas e os equipamentos defeituosos. Nesse caso, justificava-se a presença de um "chefe", supervisionando os processos e cobrando os resultados, comportamento que não se encaixa mais na atual realidade organizacional, embora muitas organizações que conhecemos ainda estejam com a gestão voltada para a Era Industrial, ou seja, possuem mais "chefes" do que líderes.

As organizações precisam entender que a busca por produtividade, crescimento, satisfação dos clientes e lucros, passam necessariamente por uma bem elaborada Gestão de Pessoas. Para isso, se faz necessário a eliminação dos chamados "chefes de processos" além é claro, de uma boa política de captação e retenção de pessoas. Essas estratégias fazem parte de uma mudança comportamental dentro das organizações, como forma de torná-las mais humanitárias de maneira a despertar nas pessoas o desejo de se trabalhar na instituição e, através dela, alcançar seus objetivos pessoais. Afinal, nunca é demais lembrar que os objetivos estratégicos de uma organização só serão alcançados quando estes estiverem alinhados com os objetivos pessoais de seus colaboradores.

O trabalhador só se vê como parte integrante de uma organização, só "veste a camisa", ou seja, só se compromete de verdade com os objetivos e as metas dessa organização, quando tem o perfeito entendimento da missão, da visão e dos valores dessa organização.

Ter objetivos bem definidos, ser transparente em sua gestão, oferecer condições de trabalho adequadas, uma boa remuneração e uma bem elaborada política de Gestão de Pessoas, são pré-requisitos essenciais para qualquer organização que visa buscar, a partir da melhoria do clima organizacional, sua sustentabilidade no mercado.

Portanto, caríssimos leitores, se sua organização está recheada de "chefes de processos", prepare-se: pois ela pode estar fadada ao fracasso. A dinâmica do mundo moderno não oferece espaço para este tipo medieval de gestão organizacional e como aconteceu com o Titanic, se ela afundar, certamente levará a todos com ela.


Por Eduardo Frederico

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